Guia · produção por projeto

O que é ETO (Engineer to Order)? Guia da produção sob encomenda

A definição, a diferença para MTO, ATO e MTS, quem trabalha assim, por que é tão difícil de gerir e como controlar a engenharia sob encomenda dentro do ERP.

Nuuv Tecnologia · · 9 min de leitura

O que é ETO

ETO (Engineer to Order), ou engenharia sob encomenda, é a estratégia de produção em que o produto é projetado e fabricado sob medida depois que o cliente fecha o pedido. Não existe produto pronto, nem estrutura de materiais definida, antes da venda: a engenharia, as compras e a fábrica trabalham ao mesmo tempo sobre um projeto único.

Na produção seriada, a empresa conhece o produto antes de vender. Ele tem um código, uma estrutura de materiais validada, um roteiro de fabricação e um custo padrão. Na produção ETO, o que se vende é a capacidade de projetar e fabricar algo que ainda não existe, sob as especificações de um cliente.

Por isso a produção ETO também é chamada de produção por projeto, produção não seriada ou fabricação sob encomenda com engenharia. Cada pedido vira um projeto, com prazo, orçamento, estrutura e equipe próprios.

ETO, MTO, ATO e MTS: qual a diferença

As quatro estratégias se diferenciam pelo momento em que o pedido do cliente entra no processo. Quanto mais cedo o pedido entra, mais personalizado é o produto e mais incerta é a operação.

EstratégiaO que acontece depois do pedidoEstrutura de materiaisExemplo
MTS · Make to StockSó a entrega. O produto já está no estoque.Fixa, por produtoParafusos, eletrodomésticos
ATO · Assemble to OrderA montagem, com componentes padrão em estoque.Configurável, por opçõesComputadores, motores com acessórios
MTO · Make to OrderA fabricação de um produto do catálogo.Fixa, já validadaMóveis planejados de linha, peças técnicas
ETO · Engineer to OrderO projeto, as compras e a fabricação.Nasce com o projeto e muda durante a obraMáquinas especiais, linhas de produção

A confusão mais comum é entre ETO e MTO. Nos dois a fábrica só produz depois do pedido, mas no MTO o produto já existe: estrutura e roteiro estão prontos e só falta fabricar. No ETO a engenharia ainda precisa projetar, e o que foi vendido pode mudar até a entrega. Há ainda o CTO (Configure to Order), parente do ATO, em que o cliente escolhe opções dentro de regras pré-definidas.

Exemplos de empresas ETO

Trabalham em ETO as empresas que vendem soluções sob medida, em que cada entrega é diferente da anterior:

  • Máquinas especiais e linhas de produção, projetadas para o processo de um cliente.
  • Caldeiraria e estruturas metálicas: tanques, vasos, silos, galpões, pontes rolantes.
  • Ferramentarias: moldes de injeção, estampos, dispositivos e gabaritos.
  • Automação industrial e painéis elétricos sob projeto.
  • Equipamentos agrícolas e industriais sob medida, implementos e carrocerias especiais.
  • Esteiras, transportadores e sistemas de movimentação.
  • Retrofit e reforma de máquinas, em que o escopo é definido caso a caso.

Muitas fábricas são híbridas: têm uma linha de produtos padrão (MTO ou MTS) e uma área de projetos especiais (ETO). É justamente nessa área que o controle costuma escapar do ERP.

Características da produção ETO

  1. Produto único por pedido. Cada projeto tem código, estrutura e custo próprios.
  2. Engenharia simultânea. O projeto ainda está sendo desenhado quando as primeiras compras e peças começam.
  3. Estrutura grande e profunda. Centenas ou milhares de itens, em vários níveis de conjunto e subconjunto.
  4. Mudança constante. Cliente, engenharia, produção e fornecedores pedem alterações durante a obra.
  5. Itens de prazo longo. Redutores, motores, CLPs e chapas especiais precisam ser comprados antes de o projeto fechar.
  6. Muitas operações em terceiros. Usinagem, corte a laser, dobra, galvanização, pintura e tratamento térmico.
  7. Custo e prazo por projeto. O resultado de cada encomenda é medido separadamente, contra o que foi orçado.

Os desafios da gestão ETO

Uma estrutura de materiais que não para de mudar

A lista de materiais (BOM) nasce no CAD, em SolidWorks, Inventor ou outro sistema, e cresce conforme a engenharia detalha cada conjunto. Cada revisão do desenho precisa chegar a compras e à fábrica, e o histórico tem de ficar guardado para saber o que foi comprado em qual versão.

Alteração de engenharia com o projeto andando

Quando uma peça muda, a pergunta não é só "qual é o item novo". É também: o antigo já foi comprado? Já foi cortado? Está no terceiro? Já foi montado? Sem essa resposta, a mudança vira sucata, retrabalho ou falta na montagem.

Comprar na hora certa

Comprar tudo de uma vez é arriscado, porque o projeto ainda vai mudar. Esperar a engenharia terminar estoura o prazo dos itens de entrega longa. A saída é liberar em etapas: primeiro o que demora, depois cada conjunto quando for aprovado.

Material espalhado em terceiros

Peças vão e voltam de usinagens, galvanizações e pintores. Sem saber o saldo de cada projeto em cada fornecedor, e há quantos dias o material está lá, a falta só aparece quando a montagem para.

Custo que só aparece no fim

Se o ERP mostra apenas o realizado, o gestor descobre que o projeto deu prejuízo depois da entrega. Para agir a tempo é preciso ver o orçado, o comprometido em pedidos abertos e o realizado, por conjunto, durante o projeto.

Por que o ERP comum não dá conta

A maioria dos ERPs foi desenhada para a produção repetitiva. Eles partem de três premissas que não valem para o ETO:

  • Uma estrutura por produto. A composição é do produto, não do projeto, e alterar sobrescreve a versão anterior.
  • MRP pela empresa inteira. O cálculo de necessidade soma todos os pedidos e não separa o que é de cada projeto.
  • Custo padrão. O custo é por unidade produzida, não por projeto e por conjunto.

O resultado é conhecido: o ERP fica com as notas fiscais, o financeiro e o estoque, e o projeto em si (estrutura, revisões, mudanças, terceiros e custo previsto) vai para planilhas. As duas pontas só se encontram no fechamento, quando já é tarde.

Como gerir ETO no Sankhya

O ERP Sankhya tem uma boa base para a produção por projeto: cadastro de projetos hierárquico, código de projeto nas notas e no financeiro para apurar custo, locais de estoque em árvore, TOPs com controle de estoque em poder de terceiros, liberação por alçada e, para quem licencia, o módulo de Manufatura com ordens de produção multinível.

O que falta é a camada que liga tudo isso a um projeto ETO: a estrutura de materiais do projeto com revisões, a importação da BOM do CAD, a liberação em etapas, a alteração de engenharia com análise de impacto, o Gantt do projeto e a visão de custo orçado x comprometido x realizado por conjunto.

Snk ETO

Snk ETO: a extensão de produção por projeto para o Sankhya

O Snk ETO é um produto pronto, já em produção, que acrescenta essa camada usando os próprios motores do Sankhya, em Oracle ou SQL Server, com ou sem a Manufatura. Cada pedido, OP, remessa e retorno fica ligado ao item e à revisão do projeto que o originou.

Ver o comparativo Sankhya nativo x Snk ETO

Glossário da produção sob encomenda

ETOEngineer to Order
Engenharia sob encomenda. O produto é projetado depois do pedido.
MTOMake to Order
Fabricação sob pedido de um produto que já existe no catálogo.
ATOAssemble to Order
Montagem sob pedido a partir de componentes padrão em estoque.
MTSMake to Stock
Produção para estoque, com base em previsão de vendas.
BOMBill of Materials
Lista de materiais ou estrutura do produto: todos os itens, quantidades e a relação pai e filho entre eles.
BOM recuadaIndented BOM
BOM exportada do CAD com numeração hierárquica (1, 1.1, 1.1.2) que define a árvore do produto.
WBSWork Breakdown Structure
Estrutura analítica do projeto: o projeto dividido em conjuntos e subconjuntos, usada para planejar prazo e custo.
ECOEngineering Change Order
Ordem de alteração de engenharia. Formaliza uma mudança na estrutura ou no desenho e o que fazer com o que já existe.
RevisãoRevision
Versão aprovada da estrutura ou do desenho (rev. A, B, C). Cada ECO aplicada gera uma revisão nova.
Item de prazo longoLong lead item
Componente com prazo de entrega grande, que precisa ser comprado antes de o projeto inteiro estar pronto.
Necessidade líquidaNet requirement
Quantidade que falta comprar ou produzir: a necessidade bruta menos o saldo em estoque e os pedidos já abertos.
Remessa para industrializaçãoCFOP 5.901 / 6.901
Envio de material a um terceiro para usinagem, pintura, tratamento ou montagem. O retorno simbólico usa o CFOP 1.902 e o serviço, o 1.124.
OPOrdem de produção
Documento que autoriza e acompanha a fabricação de um item ou conjunto, com materiais e operações.

Perguntas frequentes

O que é ETO na produção?

ETO (Engineer to Order, ou engenharia sob encomenda) é a estratégia de produção em que o produto é projetado e fabricado sob medida depois que o cliente fecha o pedido. Não há produto pronto nem estrutura de materiais definida antes da venda.

Qual a diferença entre ETO, MTO, ATO e MTS?

No MTS (Make to Stock) a fábrica produz para estoque. No ATO (Assemble to Order) monta sob pedido a partir de componentes padrão. No MTO (Make to Order) fabrica sob pedido um produto que já existe no catálogo. No ETO (Engineer to Order) projeta e fabrica sob pedido um produto que ainda não existe.

Quais empresas trabalham em ETO?

Fabricantes de máquinas especiais e linhas de produção, caldeirarias, estruturas metálicas, ferramentarias e moldes, automação industrial, painéis elétricos, implementos, equipamentos agrícolas e industriais sob medida e empresas de retrofit de máquinas.

O que é uma alteração de engenharia (ECO)?

ECO (Engineering Change Order) é o pedido formal de mudança na estrutura ou no desenho de um produto. Em ETO ela acontece com o projeto em andamento, então precisa considerar o que já foi comprado, fabricado, enviado a terceiros ou consumido.

O que é BOM recuada?

É a lista de materiais (Bill of Materials) exportada pelo CAD com um número hierárquico por linha (1, 1.1, 1.1.2). O número indica quem é pai e quem é filho, e permite remontar a árvore do produto em outro sistema.

Um ERP comum serve para produção ETO?

Serve como base: cadastro, notas, estoque, financeiro e custos. Mas a maioria dos ERPs supõe uma estrutura por produto, sem revisões por projeto, e um MRP que não separa a necessidade por projeto. Sem uma camada de gestão de projeto, a empresa ETO controla estrutura, mudanças e terceiros em planilhas.

Como controlar produção ETO no Sankhya?

O Sankhya já tem projetos hierárquicos, custo por projeto, locais de estoque, controle de terceiros e a Manufatura. A extensão Snk ETO acrescenta a estrutura de materiais por projeto com revisões, a importação do CAD, a liberação em etapas, a alteração de engenharia com análise de impacto, o Gantt do projeto e o custo orçado x comprometido x realizado por conjunto.

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