O que é ETO
ETO (Engineer to Order), ou engenharia sob encomenda, é a estratégia de produção em que o produto é projetado e fabricado sob medida depois que o cliente fecha o pedido. Não existe produto pronto, nem estrutura de materiais definida, antes da venda: a engenharia, as compras e a fábrica trabalham ao mesmo tempo sobre um projeto único.
Na produção seriada, a empresa conhece o produto antes de vender. Ele tem um código, uma estrutura de materiais validada, um roteiro de fabricação e um custo padrão. Na produção ETO, o que se vende é a capacidade de projetar e fabricar algo que ainda não existe, sob as especificações de um cliente.
Por isso a produção ETO também é chamada de produção por projeto, produção não seriada ou fabricação sob encomenda com engenharia. Cada pedido vira um projeto, com prazo, orçamento, estrutura e equipe próprios.
ETO, MTO, ATO e MTS: qual a diferença
As quatro estratégias se diferenciam pelo momento em que o pedido do cliente entra no processo. Quanto mais cedo o pedido entra, mais personalizado é o produto e mais incerta é a operação.
| Estratégia | O que acontece depois do pedido | Estrutura de materiais | Exemplo |
|---|---|---|---|
| MTS · Make to Stock | Só a entrega. O produto já está no estoque. | Fixa, por produto | Parafusos, eletrodomésticos |
| ATO · Assemble to Order | A montagem, com componentes padrão em estoque. | Configurável, por opções | Computadores, motores com acessórios |
| MTO · Make to Order | A fabricação de um produto do catálogo. | Fixa, já validada | Móveis planejados de linha, peças técnicas |
| ETO · Engineer to Order | O projeto, as compras e a fabricação. | Nasce com o projeto e muda durante a obra | Máquinas especiais, linhas de produção |
A confusão mais comum é entre ETO e MTO. Nos dois a fábrica só produz depois do pedido, mas no MTO o produto já existe: estrutura e roteiro estão prontos e só falta fabricar. No ETO a engenharia ainda precisa projetar, e o que foi vendido pode mudar até a entrega. Há ainda o CTO (Configure to Order), parente do ATO, em que o cliente escolhe opções dentro de regras pré-definidas.
Exemplos de empresas ETO
Trabalham em ETO as empresas que vendem soluções sob medida, em que cada entrega é diferente da anterior:
- Máquinas especiais e linhas de produção, projetadas para o processo de um cliente.
- Caldeiraria e estruturas metálicas: tanques, vasos, silos, galpões, pontes rolantes.
- Ferramentarias: moldes de injeção, estampos, dispositivos e gabaritos.
- Automação industrial e painéis elétricos sob projeto.
- Equipamentos agrícolas e industriais sob medida, implementos e carrocerias especiais.
- Esteiras, transportadores e sistemas de movimentação.
- Retrofit e reforma de máquinas, em que o escopo é definido caso a caso.
Muitas fábricas são híbridas: têm uma linha de produtos padrão (MTO ou MTS) e uma área de projetos especiais (ETO). É justamente nessa área que o controle costuma escapar do ERP.
Características da produção ETO
- Produto único por pedido. Cada projeto tem código, estrutura e custo próprios.
- Engenharia simultânea. O projeto ainda está sendo desenhado quando as primeiras compras e peças começam.
- Estrutura grande e profunda. Centenas ou milhares de itens, em vários níveis de conjunto e subconjunto.
- Mudança constante. Cliente, engenharia, produção e fornecedores pedem alterações durante a obra.
- Itens de prazo longo. Redutores, motores, CLPs e chapas especiais precisam ser comprados antes de o projeto fechar.
- Muitas operações em terceiros. Usinagem, corte a laser, dobra, galvanização, pintura e tratamento térmico.
- Custo e prazo por projeto. O resultado de cada encomenda é medido separadamente, contra o que foi orçado.
Os desafios da gestão ETO
Uma estrutura de materiais que não para de mudar
A lista de materiais (BOM) nasce no CAD, em SolidWorks, Inventor ou outro sistema, e cresce conforme a engenharia detalha cada conjunto. Cada revisão do desenho precisa chegar a compras e à fábrica, e o histórico tem de ficar guardado para saber o que foi comprado em qual versão.
Alteração de engenharia com o projeto andando
Quando uma peça muda, a pergunta não é só "qual é o item novo". É também: o antigo já foi comprado? Já foi cortado? Está no terceiro? Já foi montado? Sem essa resposta, a mudança vira sucata, retrabalho ou falta na montagem.
Comprar na hora certa
Comprar tudo de uma vez é arriscado, porque o projeto ainda vai mudar. Esperar a engenharia terminar estoura o prazo dos itens de entrega longa. A saída é liberar em etapas: primeiro o que demora, depois cada conjunto quando for aprovado.
Material espalhado em terceiros
Peças vão e voltam de usinagens, galvanizações e pintores. Sem saber o saldo de cada projeto em cada fornecedor, e há quantos dias o material está lá, a falta só aparece quando a montagem para.
Custo que só aparece no fim
Se o ERP mostra apenas o realizado, o gestor descobre que o projeto deu prejuízo depois da entrega. Para agir a tempo é preciso ver o orçado, o comprometido em pedidos abertos e o realizado, por conjunto, durante o projeto.
Por que o ERP comum não dá conta
A maioria dos ERPs foi desenhada para a produção repetitiva. Eles partem de três premissas que não valem para o ETO:
- Uma estrutura por produto. A composição é do produto, não do projeto, e alterar sobrescreve a versão anterior.
- MRP pela empresa inteira. O cálculo de necessidade soma todos os pedidos e não separa o que é de cada projeto.
- Custo padrão. O custo é por unidade produzida, não por projeto e por conjunto.
O resultado é conhecido: o ERP fica com as notas fiscais, o financeiro e o estoque, e o projeto em si (estrutura, revisões, mudanças, terceiros e custo previsto) vai para planilhas. As duas pontas só se encontram no fechamento, quando já é tarde.
Como gerir ETO no Sankhya
O ERP Sankhya tem uma boa base para a produção por projeto: cadastro de projetos hierárquico, código de projeto nas notas e no financeiro para apurar custo, locais de estoque em árvore, TOPs com controle de estoque em poder de terceiros, liberação por alçada e, para quem licencia, o módulo de Manufatura com ordens de produção multinível.
O que falta é a camada que liga tudo isso a um projeto ETO: a estrutura de materiais do projeto com revisões, a importação da BOM do CAD, a liberação em etapas, a alteração de engenharia com análise de impacto, o Gantt do projeto e a visão de custo orçado x comprometido x realizado por conjunto.
Snk ETO: a extensão de produção por projeto para o Sankhya
O Snk ETO é um produto pronto, já em produção, que acrescenta essa camada usando os próprios motores do Sankhya, em Oracle ou SQL Server, com ou sem a Manufatura. Cada pedido, OP, remessa e retorno fica ligado ao item e à revisão do projeto que o originou.
Ver o comparativo Sankhya nativo x Snk ETOGlossário da produção sob encomenda
- ETOEngineer to Order
- Engenharia sob encomenda. O produto é projetado depois do pedido.
- MTOMake to Order
- Fabricação sob pedido de um produto que já existe no catálogo.
- ATOAssemble to Order
- Montagem sob pedido a partir de componentes padrão em estoque.
- MTSMake to Stock
- Produção para estoque, com base em previsão de vendas.
- BOMBill of Materials
- Lista de materiais ou estrutura do produto: todos os itens, quantidades e a relação pai e filho entre eles.
- BOM recuadaIndented BOM
- BOM exportada do CAD com numeração hierárquica (1, 1.1, 1.1.2) que define a árvore do produto.
- WBSWork Breakdown Structure
- Estrutura analítica do projeto: o projeto dividido em conjuntos e subconjuntos, usada para planejar prazo e custo.
- ECOEngineering Change Order
- Ordem de alteração de engenharia. Formaliza uma mudança na estrutura ou no desenho e o que fazer com o que já existe.
- RevisãoRevision
- Versão aprovada da estrutura ou do desenho (rev. A, B, C). Cada ECO aplicada gera uma revisão nova.
- Item de prazo longoLong lead item
- Componente com prazo de entrega grande, que precisa ser comprado antes de o projeto inteiro estar pronto.
- Necessidade líquidaNet requirement
- Quantidade que falta comprar ou produzir: a necessidade bruta menos o saldo em estoque e os pedidos já abertos.
- Remessa para industrializaçãoCFOP 5.901 / 6.901
- Envio de material a um terceiro para usinagem, pintura, tratamento ou montagem. O retorno simbólico usa o CFOP 1.902 e o serviço, o 1.124.
- OPOrdem de produção
- Documento que autoriza e acompanha a fabricação de um item ou conjunto, com materiais e operações.
Perguntas frequentes
O que é ETO na produção?
ETO (Engineer to Order, ou engenharia sob encomenda) é a estratégia de produção em que o produto é projetado e fabricado sob medida depois que o cliente fecha o pedido. Não há produto pronto nem estrutura de materiais definida antes da venda.
Qual a diferença entre ETO, MTO, ATO e MTS?
No MTS (Make to Stock) a fábrica produz para estoque. No ATO (Assemble to Order) monta sob pedido a partir de componentes padrão. No MTO (Make to Order) fabrica sob pedido um produto que já existe no catálogo. No ETO (Engineer to Order) projeta e fabrica sob pedido um produto que ainda não existe.
Quais empresas trabalham em ETO?
Fabricantes de máquinas especiais e linhas de produção, caldeirarias, estruturas metálicas, ferramentarias e moldes, automação industrial, painéis elétricos, implementos, equipamentos agrícolas e industriais sob medida e empresas de retrofit de máquinas.
O que é uma alteração de engenharia (ECO)?
ECO (Engineering Change Order) é o pedido formal de mudança na estrutura ou no desenho de um produto. Em ETO ela acontece com o projeto em andamento, então precisa considerar o que já foi comprado, fabricado, enviado a terceiros ou consumido.
O que é BOM recuada?
É a lista de materiais (Bill of Materials) exportada pelo CAD com um número hierárquico por linha (1, 1.1, 1.1.2). O número indica quem é pai e quem é filho, e permite remontar a árvore do produto em outro sistema.
Um ERP comum serve para produção ETO?
Serve como base: cadastro, notas, estoque, financeiro e custos. Mas a maioria dos ERPs supõe uma estrutura por produto, sem revisões por projeto, e um MRP que não separa a necessidade por projeto. Sem uma camada de gestão de projeto, a empresa ETO controla estrutura, mudanças e terceiros em planilhas.
Como controlar produção ETO no Sankhya?
O Sankhya já tem projetos hierárquicos, custo por projeto, locais de estoque, controle de terceiros e a Manufatura. A extensão Snk ETO acrescenta a estrutura de materiais por projeto com revisões, a importação do CAD, a liberação em etapas, a alteração de engenharia com análise de impacto, o Gantt do projeto e o custo orçado x comprometido x realizado por conjunto.